Importância de beber água para quem faz musculação

Muitos competidores e até não atletas acreditam que, para obter uma boa definição muscular, devem abster-se de água e de qualquer outro líquido por 24, 48, ou até mesmo mais horas antes da competição. E, como carboidratos em geral têm altíssimos teores de água, estes também deveriam ser radicalmente reduzidos, ou mesmo eliminados. Imaginam que desidratando o organismo conseguem a redução da espessura da pele, pela eliminação da água subcutânea, otimizando a visualização do relevo muscular e evidenciando a vascularização. Certo? Não, ERRADO!

A ÁGUA EM NOSSO CORPO

Por interessante coincidência, a proporção de água no corpo humano é similar à quantidade de águas na superfície do planeta, algo em torno de 70 a 75%.

Entretanto, a percentagem de água no nosso organismo se reduz à medida que envelhecemos. Ao nascer, temos próximo de 75-80% de água; na fase adulta, esta taxa cai para uma media de 55 a 60% e, enquanto vamos envelhecendo, o processo continua. Porém, dependendo da composição corporal, este percentual pode acrescentar importantes diferenças.

Uma pessoa não obesa, nem magra, com boa proporção, mas com pouco volume muscular, tem cerca de 57% do seu peso composto por água. Nos obesos, este percentual cai, variando entre 45 e 50%. A gordura é um tecido que armazena pouca água, pois, afinal, gordura e água não se combinam – notadamente no subcutâneo, onde a quantidade de água é muito pequena, mesmo em pessoas com composição corporal normal, ou em atletas com grande massa muscular. Entretanto, um bodybuilder tem um percentual bem maior de água no corpo, pelo fato de que os músculos são tecidos que contêm muita água: cerca de 75% da sua composição.

A FUNÇÃO DA ÁGUA NO ORGANISMO

 

A água é, basicamente, o meio de transporte dos nutrientes, que favorece o processamento das reações químicas das células. Sendo ela o principal elemento do sangue (81%), proporciona a sua fluidez, o que possibilita a circulação do plasma sanguíneo por todo o organismo, através das veias e artérias.

A água também é fundamental para outros sistemas, como os sucos digestivos do intestino, do estômago e linfático, os líquidos que constituem os olhos e os que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

Sendo ela o mais importante veículo para eliminação dos catabólitos, a água que entra em nosso organismo não se acumula; é eliminada, juntamente co os resíduos finais do metabolismo (ácido úrico, uréia, creatinina, etc.), via urina, suor, respiração e fezes.

DESIDRATAÇÃO

 

O estado de desidratação provoca uma mudança geral na composição dos líquidos em todo o nosso corpo, resultando na redução do volume de todas as nossas células – inclusive, claro, dos músculos.

Também implica a redução da fluidez do sangue, em função da elevação da sua viscosidade; portanto, mais trabalho para o coração bombear o sangue, criando predisposição à trombose (coágulos). Como forma de compensação, provoca a queda da pressão arterial e a elevação dos batimentos cardíacos (taquicardia).

As substâncias tóxicas se acumulam pela redução da urina, em função da dificuldade da formação desta pelos rins. O resultado é um desequilíbrio na concentração de sódio e potássio, principalmente, possibilitando a formação de cálculos (pedras) na bexiga e nos rins.

A secreção dos sucos gástricos é dificultada, prejudicando o sistema digestivo e a assimilação dos alimentos, podendo ocorrer formação de pedras na vesícula.

O cérebro e a medula podem apresentar distúrbios do sistema nervoso, com a ocorrência de dificuldade de raciocínio, afetando a coordenação motora e predispondo a convulções.

REFLEXOS NEGATIVOS PARA O COMPETIDOR

Para que ocorra a incorporação do glicogênio à massa muscular (cada molécula de glicogênio leva consigo três moléculas de água para o interior do músculo), é necessária a presença de água em razoáveis quantidades, pois com a escassez de água o volume dos músculos será menor. Pela redução do volume de sangue em circulação, o efeito de “bombeamento” será reduzido no aquecimento antes das provas e os músculos não apresentarão o aspecto túrgido e vascularizado desejado.

O efeito na redução da espessura da pele será nulo, ou insignificante, pois, como dito acima, a pele é constituída principalmente por gordura, com pouquíssimo conteúdo em água.

O competidor terá sérias dificuldades para fazer sua apresentação diante dos árbitros, por fadiga muscular e intoxicação provocada pela retenção de metabólitos, com a agravante da dificuldade de coordenação motora e controle de contração muscular.

Portanto, não existem benefícios decorrentes de um regime de desidratação para ninguém e, menos ainda, para o competidor de musculação, os prejuízos são muitos, alguns deles graves, podendo apresentar danos à saúde e sofrimentos sérios, perfeitamente evitáveis apenas com alguns copos extras de água pura diariamente.

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