O que é Êxodo Rural?

Trabalhadores rurais

Com o aumento da mecanização agrícola e desuso da mão de obra humana, habitantes do campo foram obrigados a deixar as paisagens bucólicas pelos centros cinzentos, cheios de sons e vapores da cidade grande. O êxodo rural, além de um fenômeno, nada mais é do que um vestígio das mudanças tecnológicas ocorridas durante a Revolução Industrial e o implemento do sistema capitalista, fatos da história que desencadearam uma série de transformações vistas até hoje.

Antes dessa mecanização em longa escala, os camponeses tinham uma única ferramenta principal: suas mãos. Responsáveis pelo plantio e colhimento de suas safras e produção de artesanato, o homem do campo dominava o processo completo destas tarefas, por vezes, eles se agrupavam para aumentar essa produção, também com intuito de repassar seus conhecimentos aos aprendizes. Com o surgimento das máquinas em meados de século XVIII, esse conhecimento foi desfragmentado, já que as máquinas faziam metade do trabalho exigido, e os homens eram responsáveis apenas por algumas etapas, não dominando todo o processo produtivo. Perdeu-se então, a figura do homem campista artesão.

Tendo a Inglaterra como palco principal do início dessa história, e depois difundindo essas causas por toda a Europa até os outros países, o campo já não os suportava economicamente, camponeses tiveram que migrar aos centros em busca de trabalho, assim também como o acesso a tais bens, o que já dava indícios de consumismo em todas as classes. Temos então o homem que antes plantava, colhia para comer, trabalhando uma jornada de 12 horas (no caso de mulheres e crianças eram 16 horas) em troca de um salário vivendo em cômodos sujos e incapazes de suportá-lo (o que colaborou para o aparecimento de roedores, dando início à peste negra, pandemia que assolou o continente europeu), dando surgimentos às primeiras zonas periféricas.

A técnica agrícola da monocultura foi substituída, e não havia mais o cultivo de apenas um produto agrícola, mas sim, a alternação de tipos de alimentos cultivados; os produtores de baixa escala que não se adaptavam as mudanças ficavam em desvantagem no mercado.

Entre os problemas que atingem a população em escala mundial, destacamos consequências

  • Aumenta a demanda de vínculos empregatícios, o que nem sempre pode ser suprido pelas metrópoles;
  • Gera empregos clandestinos e sem regulamentação, já que a necessidade de ganhar dinheiro é maior que a de estar legalmente vinculado;
  • Aumento da criminalidade, pois muitos homens e mulheres não conseguem o tão sonhado emprego, e logo se voltam a atividades ilegais como venda de drogas, roubo e prostituição de mulheres e crianças.

O êxodo rural brasileiro

O primeiro surto de êxodo rural ocorrido em nosso país foi em função do desmatamento de áreas canavieiras, agravando os fatores de abandono das terras. Com o tempo, o café foi sendo importado de Portugal e o extrato da borracha foi crescendo no norte do país, o que já dava indícios do abandono da monocultura.

O fato de qual se têm mais conhecimento, é que o êxodo teve progressos alarmantes na região nordeste do país, devido ao clima seco que assolou a área. Pessoas morriam de fome, sede e doenças decorrentes da desnutrição, era um estado de total miséria e que obrigou os moradores a se deslocaram para outras regiões, em especial a Sudeste. O ano de 1930 foi marcado pelo aumento do deslocamento de pessoas dentro do próprio Brasil, mais até que a entrada de estrangeiros. Podemos dizer ironicamente que o êxodo “assistiu” a grandes acontecimentos no país, como a construção de Brasília (uma boa parte dos nordestinos deslocaram-se para lá em busca de trabalho), a Era do Presidente Vargas e a ditadura militar em 1964.

O êxodo rural hoje

Além das consequências que ecoam nos dias de hoje, tais como desemprego, crescimento de favelas e marginalização, a migração do campo à cidade ainda ocorre, só que em baixa escala. Fundações e instituições brasileiras trabalham no desaparecimento dessa atividade, tendo que lidar em seguida com o percentual alarmante de 90% de pessoas vivendo em uma selva de pedra.

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Sobre o autor

João Silva

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