Biografia e Poesias de Olavo Bilac


Biografia e Poesias de Olavo Bilac

Foto: Reprodução

Olavo Bilac foi um dos maiores jornalistas e poetas brasileiros. Foi o membro fundador da Academia Brasileira de Letras, e ficou conhecido por suas obras para a literatura infantil e sua participação cívica ativa como nacionalista e republicano. Bilac também foi um dos que defenderam a lei do serviço militar obrigatório para os jovens do sexo masculino.

Biografia de Olavo Bilac

Nascido no Rio de Janeiro, no dia 16 de dezembro de 1865, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac era considerado um dos melhores alunos quando criança. Era tão aplicado, que com apenas 15 anos (muito menos que a idade exigida na época), ele conseguiu uma autorização para cursar Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas tudo por pura pressão do seu pai, que já era médico.

Ele começa a assistir às aulas, mas o trabalho que escreveu para a Gazeta Acadêmica da faculdade lhe interessou bem mais do que as complexas aulas de anatomia. Foi aí que Olavo começou a perceber para o que realmente havia nascido: ser criador da palavra.

Ele deixou a faculdade de Medicina e começou a cursar Direito, mas não concluiu nenhum dos dois. Ele então começou a trabalhar como jornalista e a frequentar rodas de boêmias literárias do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, seu trabalho como poeta e jornalista começou a ganhar destaque, o que o aproximou de alguns intelectuais da área. Com isso, conseguiu um cargo público de inspetor escolar.

Mas foi no jornal carioca Gazeta de Notícias, que ele fez a sua estreia no mundo da poesia, com o soneto “Sesta de Nero”, no ano de 1884. Logo depois, o mesmo foi parar em outro jornal, o Diário de Notícias.

Em 1897, ele bateu seu carro em uma árvore na Estrada da Tijuca e tornou-se o primeiro a sofrer um acidente automobilístico no Brasil!

Seu grande amor foi Amélia de Oliveira, com quem chegou a noivar, mas tudo foi desfeito por conta de um dos irmãos dela, que se opôs ao relacionamento, achando que Olavo era um homem “sem futuro”.

Bilac foi eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros sendo uma das maiores lideranças do Parnasianismo no nosso País!

Poesias

Ao coração que sofre:

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Por estas Noites:

Por estas noites frias e brumosas
É que melhor se pode amar, querida!
Nem uma estrela pálida, perdida
Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas

Mas um perfume cálido de rosas
Corre a face da terra adormecida …
E a névoa cresce, e, em grupos repartida,
Enche os ares de sombras vaporosas:

Sombras errantes, corpos nus, ardentes
Carnes lascivas … um rumor vibrante
De atritos longos e de beijos quentes …

E os céus se estendem, palpitando, cheios
Da tépida brancura fulgurante
De um turbilhão de braços e de seios.